Formadas pelo recuo e avanço do oceano Atlântico sobre o continente,
ao longo de milhares de anos, em conseqüência de sucessivas glaciações
(movimento de regressão do mar) e inter-glaciações (movimento de transgressão
do mar), as ilhas do arquipélago das Cagarras são na verdade topos emersos
de montanhas que, com a variação do nível do mar, isolaram-se e tornaram-se
a ligar ao continente: montanhas e colinas foram sendo envolvidas pelas
águas e converteram-se nas ilhas e ilhotas que conhecemos. O aspecto
atual das ilhas que formam o complexo insular das Cagarras resultou
da modelagem lenta e constante realizada por processos erosivos e sedimentares
ao longo de milhões de anos. A característica geológica marcante das
ilhas, que apresentam formas e alturas peculiares, é a presença de blocos
monolíticos isolados, com formas arredondadas no topo, curvas suaves
nas vertentes, e encostas sem arestas ou pontas escarpadas - formações
essas cuja denominação geológica é "pão de açucar".
O
arquipélago das Cagarras (23º01' S ; 43º12' W), com uma área de aproximadamente
2km², é um conjunto formado por três ilhas principais (da Cagarra Grande,
de Palmas e Comprida), três ilhotas (Filhote da Cagarra Grande, Praça-Onze,
e Matias) e sete lajes (Fedorenta, Cangulândia, Palmas, da Cagarra,
Bom Jardim, da Âncora e do Focinho de Porco). As ilhotas Praça-Onze
e Matias e a laje Fedorenta fazem parte de um prolongamento fragmentado
da ilha Comprida, a mais extensa e baixa do arquipélago; a ilhota Filhote
da Cagarra encontra-se separada da ilha da Cagarra pelo canal do Passarinho.
À cerca de 3,5km ao sul do arquipélago, encontram-se a ilha Redonda,
a ilhota Filhote da Redonda e a laje da Redonda. A ilha Rasa ou do Farol,
localizada a 5,5km à sudoeste do arquipélago, e onde o Departamento
de Hidrografia e Navegação da Marinha mantém um farol, é a mais afastada
do complexo insular e a única ilha habitada de todo o conjunto. À oeste
das Cagarras situam-se a ilha do Meio e o arquipélago das Tijucas (formado
pelas ilhas Alfavaca e Pontuda), localizados respectivamente à cerca
de 7km e 9km das Cagarras. Aproximadamente 7km à noroeste, a menos de
1km da costa, encontra-se ainda a ilha de Cotunduba (Coelho & Peixoto,
2003). A ponta da pedra do Arpoador, Ipanema, é o ponto da cidade do
Rio de Janeiro mais próximo do arquipélago, a 3,5km da ilha da Cagarra
Grande.
A
zona costeira e a plataforma continental do sudeste do Brasil (do cabo
de São Tomé, Rio de Janeiro, ao cabo de Santa Marta, Santa Catarina),
com uma largura variando de 80 a 220km, sofre a influência das massas
de água da Corrente do Brasil e das Águas Centrais do Atlântico Sul
(ACAS). Devido à sua latitude, o arquipélago das Cagarras encontra-se
na Zona de Transição, local que, devido às suas características climáticas
intermediárias entre a zona tropical e subtropical temperada do Atlântico
Sul, reúne componentes faunísticos tanto da província geográfica tropical
brasileira e caribenha quanto da fauna do sul do Brasil e da Argentina.
Caracteriza-se, portanto, pela representatividade de sua biodiversidade,
em um local de relevante interesse científico e conservacionista. Essas
ilhas e ilhotas recebem uma maior e mais longa influência das águas
oceânicas, mantendo-se portanto, em grande parte do ano, limpas e transparentes.
.
Quanto
ao nome do arquipélago, a versão mais aceita é a de que tenha se originado
de uma referência ao guano (excrementos de aves marinhas) que recobria
os costões rochosos das ilhas de forma intensa, fazendo uma alusão à
rica avifauna existente na época dos colonizadores portugueses que por
isso as batizaram de "Ilhas Cagadas". Com alto teor de nitrogênio e
fosfato, o guano é um fertilizante natural para o fitoplâncton, as algas
microscópicas que constituem a base da teia alimentar dos ambientes
marinhos. Outra versão, menos aceita, é a de que o nome do arquipélago
possa ser devido às cagarras (Calonectris diomedea), aves marinhas existentes
na costa européia e nas ilhas portuguesas, semelhantes a gaivotas, e
com as quais aves nativas abundantes no arquipélago poderiam ter sido
confundidas. .
De um ângulo pouco comum - do mar para a terra - a visão da cidade do
Rio de Janeiro é incomparável, com as montanhas e a floresta que compõem
o paredão do Maciço da Tijuca erguendo-se por trás da faixa de areia
branca e dos prédios das praias de Ipanema e Copacabana, e com a possibilidade
ainda de se contemplar os principais cartões postais da cidade tais
como o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Pedra da Gávea, a Pedra Bonita
e os picos da Tijuca e do Papagaio.